Acusado de explodir muralha de presídio em Guarulhos pode ser solto por causa da “pendenga burocrática”

Confusão na entrega de fax com ordem da Justiça leva PF a soltar preso após término de prazo de prisão preventiva

Fernando Henrique Pereira de Souza, 27 anos, o Zóio, acusado de tráfico e suspeito de ser o responsável pela explosão da muralha do presídio Adriano Marrey, em agosto, foi libertado na madrugada de quarta-feira por causa de uma confusão no recebimento de um fax com a ordem da Justiça para mantê-lo preso.

Ele estava preso na Superintendência da Polícia Federal, na Lapa, zona oeste da capital, desde o dia 15 passado. A ordem de manutenção da prisão deveria ter sido achada até a meia-noite, mas só foi localizada às 4h30, e Souza pôde sair pela porta da frente da PF.

Quando o fax foi localizado, policiais federais foram ao encalço de Souza, mas ele não foi mais encontrado e agora é considerado foragido. Além de tráfico, ele é suspeito de porte de explosivos e de pertencer à facção criminosa PCC.

Souza foi condenado por tráfico de drogas e esperava em liberdade a sentença transitar em julgado (não haver mais recurso), até ser preso em setembro por suspeita de ter explodido a muralha do presídio de Guarulhos. Sua prisão temporária venceu à 0h de quarta e, como até àquela hora a prorrogação da prisão preventiva não tinha sido localizada, ele foi solto.  

O juiz do caso, Davi Capelatto, afirmou que a prisão preventiva de Souza foi decretada às 19h15 e que o horário ficou registrado nos autos do processo. Segundo ele, o Ministério Público Federal recebeu as peças do inquérito policial no dia 10 e só devolveu ao cartório na tarde de terça. O documento foi devolvido ao cartório sem a denúncia, porém com parecer favorável pela decretação da prisão preventiva.

O Ministério Público não se pronunciou sobre o caso. A Polícia Federal informou que o expediente do prédio se encerra às 18h e disse em nota que “Polícia Federal, por meio de sua Superintendência Regional no Estado de São Paulo, que em virtude do prazo de manutenção da ordem de prisão temporária ter se esvaído à meia-noite do dia 14/10/2008, efetuou a soltura de FERNANDO HENRIQUE PEREIRA DE SOUZA, vulgo ZÓIO.” A polícia não diz na nota se havia ou não funcionário no prédio aguardando pelo documento.

Como a prisão preventiva foi registrada no processo, Zoío passa a ser foragido da Justiça. A advogada de Souza entrou com um pedido para que seu cliente responda ao processo em liberdade.

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